Da seca ao caos!






Que fim de semana movimentado, cansativo e preocupante! Em Caruaru a chuva começou às 17h30 do sábado e não deu trégua… foram mais de 14 horas ininterruptas que trouxeram um domingo cinzento e cheio de estragos por onde o Rio Ipojuca passa na cidade: passagens molhadas, pontes, regiões ribeirinhas, um verdadeiro caos! Pessoas ficaram ilhadas sem poder sair ou chegar em casa.  

Passagem molhada do bairro João Mota

Só que a intensa e demorada chuva não foi exclusividade de Caruaru. Ao todo, 14 municípios do estado foram atingidos, Água Preta, Palmares, Catende, Ribeirão, Barreiros são alguns, mas quero falar do que vi e vivi em um deles. Pela manhã do domingo recebemos um chamado dos moradores de Belém de Maria… tinha sido decretada situação de emergência no município que estava COMPLETAMENTE  alagado! O Rio Panelas que passa pela cidade transbordou causando a pior enchente dos últimos anos. Pelo caminho percorremos a PE 126 acompanhados pela “tromba” d’água que descia as margens da estrada. O Rio Una subiu assustando a população de todas as cidades da zona da mata que são cortadas por ele.

Rio Una em Catende

A estrada que dá acesso à Belém estava péssima! naquela região além da enchente, outro grande problema que causa prejuízos são os deslizamentos de barreira, seja na pista que dá acesso a cidade, seja em cima das casas dos moradores, muitos estavam abandonando (à contra gosto com certeza) a moradia para preservar a vida da família.

Quintal de uma das casas

Em um ponto mais alto da cidade era possível ver a gravidade da situação. Muitos imóveis apenas com o telhado fora da água. Carros e caminhões estacionados de todos jeito pelas ruas com a mala aberta fazendo uma mudança de emergência, tirando o que dava da área de risco.

Belém de Maria

 Diante de toda essa tragédia, deixando milhares de pessoas desabrigadas, uma imagem me chocou! Dona Arlinda cuidando da mãe, de 95 anos, dentro de um ônibus (usado como abrigo improvisado) onde elas passaram à noite depois da água invadir a casa delas, tiveram tempo apenas de tirar documentos e algumas roupas.

Arlinda e a mãe

Mas o que ela me disse, de alguma forma me confortou naquela situação angustiante que eu estava vendo. “Estamos aqui esperando pra ver o que vai acontecer, Deus não vai nos desamparar”. É um povo de FÉ  esse nordestino… outras enchentes também tiraram tudo desses moradores no ano de 2000 e depois em 2010, todos se reergueram e agora estão aqui de novo, sem nada… apenas com a vontade de mais uma vez recomeçar! E por falar em recomeço, eu fui lá hoje novamente… é de impressionar a imagem de camas, cadeiras, sofás, e roupas pelo meio da rua misturados com a lama que a tragédia deixou.

Centro de Belém

Talvez esse tenha sido o pior momento, voltar pra casa e descobrir que aquilo que você passou meses ou anos para adquirir, virou lixo em menos de 24 horas, mas estamos falando apenas de “bens materiais”. Quem está perto de uma situação como essa percebe que pra eles o importante é estar vivo, não é hora de chorar nem de lamentações, e sim, de arregaçar as mangas para limpar o que ficou e reconstruir. A fé deles é inabalável, firme e forte assim como a estátua do Padre Cícero já resistiu três enchentes.

Abaixo você confere a reportagem completa que fiz em Belém de Maria, passando também por Catende outra cidade que está sofrendo com o problema da enchente:

Eu fui conferir a situação de cidades que foram atingidas com a enchente no fim de semana, hoje fui até Belém de Maria e Catende para ver a situação que as cidades ficaram depois de tanta chuva, o cenário é de tristeza:

Posted by Nayara Vila Nova on Monday, May 29, 2017

Em que ritmo você ora?






Sempre foi uma tradição nas igrejas evangélicas a formação de corais, que têm uma participação fundamental cantando os hinos de louvor nos cultos; se apresentando também em celebrações especiais como natal, ano novo, dia das mães. Geralmente os corais são bem organizados, músicas com ritmo tradicional, mas esse cenário está mudando!! o segmento de música gospel tem crescido bastante no país inteiro (cerca de 15% ao ano) e ficando cada vez mais diversificado, ritmos como forró, pop rock, sertanejo universitário e até rock estão ganhando letras de louvor e fazendo sucesso Brasil afora.

Aqui em Caruaru temos vários exemplos, há nove anos o ministério Brasas do Altar evangeliza pessoas através da música… e o ritmo? forró! porque não? tem também xote, xaxado e baião. Com inspiração no rei Luiz Gonzaga, as letras de reflexão ganham velocidade em um som contagiante, sem deixar de passar o recado de Deus para os que escutam. Um dos vocalistas, Wellington Torres disse que no começo foi um pouco difícil porque nem todo mundo aceitou essa nova roupagem dada aos hinos de louvor tão tradicionais, “eu não me importei, o que a gente faz é com Deus, por ele e para ele… depois as pessoas começaram a aceitar que a modernidade também chegou à igreja”.

Outro que trouxe uma “inovação” para a linha gospel foi Jonas Souza, aproveitando o sucesso do sertanejo universitário que nos últimos anos tem bombado no país, ele aproveitou para relembrar a infância quando cantava sertanejo de raiz com a mãe, trazendo essa novidade: uma pegada moderna. Nessa linha ele já tem sete trabalhos publicados.

Falando em modernidade e no interesse do público jovem nesse segmento que movimenta mais de um bilhão de reais no Brasil, um exemplo é Daniel Aurdany… aos 24 anos ele lançou um CD apenas com músicas autorais. Tocando Pop Rock, ele espera que a música dele ultrapasse as paredes das igrejas fazendo com que cada vez mais pessoas escutem as letras que, segundo ele, “brotaram do coração” e possam ser tocadas na alma, refletindo sobre a mensagem de Deus para a humanidade.

Wellington Torres, Polly Freire, Jonas Souza e Daniel Aurdany no estúdio do Programa Sobretudo, da Tv Jornal

Vamos agora para um exemplo de voz feminina: nascida e criada participando ativamente das atividades da igreja, Polly Freire lembra que quando criança ia ver a avó cantar no coral. Tendo um exemplo dentro de casa, ela sempre quis segui-lo. Tendo como inspirações Aline Barros e Cassiana, depois de um concurso ao qual foi incentivada à participar, ela percebeu que poderia usar o potencial da voz para levar a palavra de Deus de uma maneira mais abrangente. E que voz!!!

Não importa o ritmo, o local… todos dizem a mesma coisa: atendemos um chamado de Deus e estamos cumprindo nossa missão! De evangelizar e tocar no coração das pessoas através da música, fazendo com que elas se aproximem e conheçam à Deus. Assim eles vão seguindo esse caminho, e nós, somos agraciados com o prazer de refletir, se arrepiar e se emocionar da melhor maneira possível, ouvindo esses talentos! Sucesso sempre, é o que desejo!

Os frutos de um trabalho de regado à fé